VINGANÇA A SANGUE-FRIO (Critica)

Gustavo Adriano

Nels Coxman é um homem comum que trabalha removendo neve das estradas da pequena cidade a onde vive, quando seu filho é erroneamente assassinado por um traficante de drogas, ele faz de tudo para se vingar.

Não, você não entendeu errado, parece a mesma estória de Busca Implacável, e claro, ter o Liam Neeson também não ajuda em nada, mas o curioso é que na verdade se trata de um remake de um longa Norueguês, O Cidadão do Ano, que pasmem, é de 2014 e já ganhou uma versão americana, mas não vou ficar aqui comparando os dois longas.

O roteiro do estreante Frank Baldwin é, sem sombra de dúvidas o grande problema aqui, Nels é apresentado como um homem comum, que remove a neve e é prestativo com todos da cidade, ganhando o prêmio de homem do ano, mas quando seu filho é morto ele se transforma em outra pessoa, sabe usar e modificar uma arma, sabe brigar e, mata diversas pessoas sem o menor remorso, será que ninguém em toda a equipe de produção conseguiu avisar ao roteirista que esse é o completo oposto de uma pessoa comum?

O fato de tudo ser extremamente conveniente também não ajuda, Nels descobre um nome que pode estar envolvido na morte de seu filho, e então dá alguns socos no mesmo, que revela outro nome, dá mais alguns socos e ouve mais um nome, e por aí vai, até que de repente ele não ouve outro nome e vai atrás de seu irmão, que por acaso é um ex-traficante e por acaso sabia exatamente quem era o chefão, passando todos as informações para Nels, de bandeja.

E nesse momento o roteiro muda o foco completamente, conhecemos o grande chefão, chamado “Viking” e do absoluto nada ele assume que os Indígenas estão por trás das mortes, então o segundo ato e metade do terceiro vemos a briga deles, e Viking tentando se conectar com seu filho no meio de tudo isso, sumindo completamente com Nels e sua “vingança”, que reaparece apenas no final, com um plano super elaborado que acaba envolvendo o garoto e juntando todas as tramas.

No meio disso tudo ainda temos uma policial querendo desvendar o caso, em uma trama desnecessária, sem sentido e claro, todas as pistas são convenientemente entregues a ela por um personagem que nem se quer aparece.

Liam Neeson no piloto automático de longas de ação, possui a mesma expressão do começo ao fim, uma cena que destaca bem esse problema é quando vê o filho morto, sua cara é de paisagem o tempo inteiro, claramente é um daqueles filmes para o ator pagar as contas de sua mansão, o que é uma pena, porque ele já se provou diversas vezes com grandes atuações.

Laura Dern faz a esposa de Neeson, percebam que não mencionei a personagem em nenhum momento, isso porque a atriz não aparece por mais que 10 minutos, os dois são apresentados como um casal feliz, mas quando seu filho morre, ela perde a sanidade e simplesmente some, vale mencionar que nem o roteiro e nem Neeson fazem disso uma grande coisa, na verdade não fazem nada.

Tom Bateman interpreta Viking, completamente afetado e cheio de trejeitos, é praticamente impossível engolir seu personagem, ele é irritante e nada ameaçador.

Emmy Rossum possui alguns bons diálogos e uma cena muito boa com Neeson, por parte da atriz é claro, mas sua personagem é completamente dispensável para a trama.

Nicholas Holmes que interpreta o filho de Viking é o único que parecia com vontade em todo o elenco, o jovem ator consegue se destacar mais que o elenco adulto em absolutamente todas as cenas que aparece, porém, o roteiro não ajuda, criando uma trama sem conclusão para o garoto.

Hans Petter Moland junto com seu diretor de fotografia Philip Øgaard, ambos do original, até possuem alguns pontos fortes, as cenas de ação são brutais e impactantes, e a pequena cidade do longa é mostrada com beleza pela neve, mas ambos parecem ter problemas com as cenas mais mundanas, conversas que não envolvem socos são filmadas de uma forma estranha e sem ritmo, aliás, tocando nesse assunto, o ritmo é penoso e cai completamente quando os Indígenas surgem na trama.

Vingança a sangue-frio é mais um filme de ação com Liam Neeson, e mostra que a formula já está mais do que desgastada, o roteiro não possui foco e não consegue trabalhar as tramas paralelas desnecessárias que criou, com personagens sem proposito só para preencher a duração.

O longa ainda tenta se utilizar de humor-negro, mas falha em todos os momentos e é preciso mencionar que acaba se tornando extremamente racista, tratando tanto os negros, quanto os indígenas de uma forma retrograda e ofensiva, em pleno 2019 isso é inaceitável.

SINOPSE

Nels (Liam Neeson), um tranquilo homem de família, trabalha como motorista de um removedor de neve e vê seu mundo virado de cabeça para baixo quando seu filho é morto por um poderoso traficante de drogas. Impulsionado pelo desejo de vingança e sem nada para perder, ele fará tudo o que por preciso para destruir o cartel.

DIREÇÃO

Hans Petter Moland

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Kim Fupz Aakeson
Título Original: Cold Pursuit
Gênero.: Ação, suspense
Duração: 1h 59min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 14 de março de 2019 (Brasil)

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1 Comentário

  1. foitube

    Com certeza um belo filme para quem gosta desse Gênero.
    amigo veja que seu site é Monetizado com WP-HOTWords .
    poderia dar uma dicas ? em artigo por exemplo. vlw 🙂