Um amor inesperado (Crítica)

Magah Machado

Longa protagonizado por Ricardo Darín estreia nessa quinta (14) nos cinemas de todo o país.

Um professor de literatura, Marcos (Ricardo Darín) e sua esposa Ana (Mercedes Morán), psicóloga, enfrentam uma crise conjugal quando seu filho único, Luciano, sai de casa para estudar na Espanha. Disfarçam, mas é a chamada “crise do ninho vazio” que os assombra. Ana levanta a lebre primeiro, insatisfeita e carente com a ausência do filho. O terreno vai sendo minado a cada reflexão e ela arrasta Marcos para a explosão de dúvidas e ressentimentos que seu comodismo atingiu. Eles sucumbem, separando-se para buscar novos significados no amor e quem sabe, um pouco mais de paixão.

O amor menos pensado. O título original em espanhol do longa de estreia do produtor Juan Vera é muito mais fiel àquilo que o casal busca. E isso fica muito patente logo no começo, quando ambos tentam calibrar seus momentos juntos com a dose certa de racionalidade e emoção fluída. Ana, alternando teorias com puro sentimento, muitas vezes confunde Marcos. E confunde o espectador também, que não sabe se pode crer em um casal sempre comedido, acertando as perguntas e as respostas como uma coreografia várias vezes apresentada. Tudo muito pensado.

Essa falta de leveza segue nos longuíssimos 136 minutos, com um roteiro intransponível de Juan Vera e Daniel Cúparo para improvisações e alguma espontaneidade. Este peso puxa para baixo os dois protagonistas, que lutam bravamente na volta à solteirice, tentando valorizar os encontros previsíveis de suas novas vidas. Conseguem, ao menos, cumplicidade na atuação e muita simpatia como casal. Mas, isso é mérito dos dois atores carismáticos e intensos.

Darín quebrando a quarta parede, logo na abertura, sugere uma maior intimidade com o público, mas essa expectativa se frustra por que seu personagem nunca mais volta a se conectar com o lado de cá, revelando uma arbitrariedade no uso deste recurso. Mesmo assim, Darín sustenta a película como se fosse a mais virtuosa dissecação de um relacionamento heteronormativo entre duas pessoas maduras. Seu desempenho é sempre memorável, e aqui se sobrepõe fácil à trama em si.

Com mais novidades ou conexões com outras realidades menos prováveis, a trama chamaria mais a atenção. O fato do casal Ana/ Marcos se surpreender com o fato de o filho estar dividindo o quarto com uma vietnamita durante seus estudos na Espanha, por exemplo, denota um conservadorismo indigesto. E a sucessão de encontros com perfis já conhecidos, como a ninfomaníaca do Tinder, ou o apaixonado do colegial, não rendem bons enredos sem um diferencial.

Mercedes Morán faz de sua Ana uma mulher curiosa, contundente, crível em seus sentimentos, e que provoca os homens o tempo todo a se engajarem em suas desbravadas aventuras. Ela é a mola propulsora de novidades na trama. Marcos (Ricardo Darín), que precisa ser provocado para se engajar em questionamentos, mudanças, reflexões, já sabemos, é o seu parceiro ideal. E continuará sendo, segundo Juan Vera.

Ao acender das luzes, quem resistiu talvez possa refletir um pouco sobre uma ou outra ideia, velha ideia dita com velhas palavras. Quase um desperdício de carisma de Darín e Morán.

SINOPSE

Marcos (Ricardo Darín) e Ana (Mercedes Morán) estão casados há 25 anos e seu relacionamento já não está mais funcionando. Quando seu filho deixa a Argentina para estudar fora, os dois decidem se divorciar. Porém, a vida de solteiro não é tão fácil quanto eles esperavam e Marcos acaba chamando Ana para sair com ele novamente.

DIREÇÃO

 Juan Vera

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Juan Vera
Título Original: El Amor Menos Pensado
Gênero: Comedia, Romance
Duração: 2h 16min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 14 de março de 2019 (Brasil)

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