Seven Seconds – 1ª Temporada | (Crítica)

Bruna Oliveira

“Seven Seconds” acompanha os desdobramentos de uma investigação e suas implicações, após o atropelamento de um adolescente negro por um policial branco e novato na cidade, o que gera um impasse entre a comunidade afro-americana e os policiais da cidade, que tentam acobertar o crime.

A história é forte, levanta muitas questões a serem discutidas, como a corrupção policial, mas o foco principal está na questão racial, é notável que a trama busca expor a distinção de tratamento e a abordagem de policiais brancos à comunidade afro-americana, e aos poucos a narrativa vai caminhando para esse ponto, até o momento em que essa se torna a principal questão, deixando o público pensativo e provocando reflexões.

A forma como a série explora esse tema é muito realista, o drama contido nas relações entre os personagens é crível, e a forma como a família Butler desmorona após o atropelamento é angustiante.

Esse realismo contido na investigação, na relação entre os personagens e no julgamento, é o maior mérito da série. É fácil se identificar com situações, sentimentos e explosões de alguns personagens, por mais que suas atitudes possam ser questionáveis. É fácil se identificar com o desespero da mãe que busca justiça pelo filho, e mais fácil ainda é lembrar que existem milhares de famílias Butler, que se tornam absolutamente impotentes diante de um sistema judicial muitas vezes parcial e corrupto.

Pelo seu modelo narrativo, que começa lento e vai crescendo gradativamente, revelando novos aspectos na medida em que os episódios avançam, a série acaba tendo alguns problemas de ritmo, sendo que alguns episódios são inteiramente arrastados, mas a construção narrativa é coesa e instigante.

A série até deixa alguns furos na narrativa, e não se aprofunda tanto em alguns dramas ou relações que a primeiro momento seriam importantes, mas os principais elementos para amarrar as pontas e desvendar o caso, estão presentes.

O elenco dá conta da história com competência, com destaque para Regina King que sabe bem interpretar uma mãe arrasada, e destaque ainda para Clare-Hope Ashitey, que entrega a personagem mais humana da série, com tantos erros e defeitos, mas que não deixa de lutar pela justiça.

Uma série que aborda tantos temas espinhosos e difíceis de retratar, não poderia terminar de outra forma, a não ser com um verdadeiro soco no estômago, e é o que acontece.

Toda a trama caminha para um final que estava implícito desde o primeiro episódio, mas que nem por isso é fácil de digerir, as últimas cenas provocam certa angústia e uma tristeza pelo desenrolar da história, ainda mais quando traçamos um paralelo com a realidade, e percebemos que histórias como essa são constantes na sociedade atual.

Ademais, fica o lamento pelo cancelamento de uma série que tinha muito potencial e poderia apresentar novas histórias fortes e de extrema relevância para a atualidade.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Seven Seconds
Ano: 2018
País: EUA
Criação: Veena Sude
Direção: Veena Sude
Elenco: Clare-Hope Ashitey, Beau Knapp, Michael Mosley e grande elenco
Duração: 10 episódios de 40-50 minutos cada

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