POR TRÁS DO CÉU (Crítica)

Kadu Silva

O nosso sertão interior

Não só o cinema nacional como também o mundial, pouco utiliza da visão poética para narrar suas histórias (infelizmente). Possivelmente esse fato ocorra, devido a preferência do grande público de algo mais superficial e instantâneo, no entanto as produções com esse víeis são capazes de um enriquecimento emocional incalculável.

Por Trás do Céu retrata um local de extrema pobreza aonde Aparecida (Nathalia Dill), Edivaldo (Emilio Orciollo Neto) e Micuim (Renato Góes), sobrevivem em meio a amarguras de uma tragédia do passado e sonhando em um futuro melhor na cidade grande.

Caio Sóh que dirige e é responsável pelo roteiro (Teus Olhos Meus) desenvolveu a história quando buscava respostas para suas indagações pessoais, sobre o que tem por trás do céu, se Deus realmente existe e como ele interfere em nossas vidas, essas e outras questões muitas vezes são somente apresentadas na narrativa, deixando para que o espectador tenha sua própria resposta. Como Sóh mesmo relatou foi uma busca de entender nosso sertão interior que é sonhador e repleto de desejos, mas em geral é reprimido por regras e limitações sociais. Todo esse estudo acontece numa fábula ingênua e delicada aonde os personagens são quase que representação de símbolos que norteiam o arco dramático, Aparecida é o sonho que temos transportando em nossa alma, Edivaldo é a vingança que nós cega para tudo que acontece ao nosso redor, Micuim é a alegria e a malicia que vai para longe, mas sempre vem nós visitar e Valquíria que é vivida pela atriz Paula Burlamaqui é a doença, a amargura e o olhar desconfiado sobre tudo que não é espelho, todos os personagens (sentimentos) vivem em nosso sertão interior que precisa entender cada um para seguir em frente.

O lirismo da obra não se atém na construção dos personagens, ele segue nos cenários e objetos que parecem ter sido tirados de uma instalação de uma galeria de arte – belos e cheio de criatividade.

Tudo no filme é para levar o espectador a um mergulho na poesia imagética de Sóh, que mesmo usando o requinte do texto criativo com versos encantadores, consegue trazer para obra uma fácil leitura de sua produção. O texto por sinal é repleto de frases de profunda reflexão, sem nunca perder o humor inocente que caracteriza alguns dos personagens.

Mesmo sendo um filme de fácil entendimento é necessária uma pré-disposição para viajar na imaginação lírica do cineasta, porque certos detalhes da trama, se forem levados à risca, revela uma certa incoerência em nosso “mundo real”, mas que no tom fantástico escolhido pelo diretor perde a importância.

Por Trás do Céu é doce, delicado, e principalmente uma verdade ode aos sonhadores.

Pôster de divulgação: POR TRÁS DO CÉU

Pôster de divulgação: POR TRÁS DO CÉU

SINOPSE

Em um lugar tomado pela extrema pobreza, Aparecida (Nathalia Dill), mulher forte do sertão, vive cheia de sonhos e esperança. Enquanto o marido Edivaldo (Emilio Orciollo Neto) leva uma vida amargurada por uma tragédia do passado, a jovem decide tomar uma atitude que pode mudar sua trajetória para semore: partir para a cidade grande.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Caio Sóh” espaco=”br”]Caio Sóh[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Caio Sóh
Título Original: Por Trás do Céu
Gênero: Drama
Duração: 1h 44min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 4 de abril de 2017 (Brasil)

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