NOSFERATU (Crítica)

Carol Lima

FICHA TÉCNICA

Título Original: Nosferatu, eine Symphonie des Grauens
Ano do lançamento: 1922
Produção: Alemanha
Gênero: Terror
Direção: F.W. Murnau
Roteiro: Henrik Galeen
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Hutter (Gustav von Wangenheim), agente imobiliário, viaja até os Montes Cárpatos para vender um castelo no Mar Báltico cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock (Max Schreck), que na verdade é um milenar vampiro que, buscando poder, se muda para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. Curiosamente quem pode reverter esta situação é Ellen (Greta Schröder), a esposa de Hutter, pois Orlock está atraído por ela.

O filme “Nosferatu” a princípio, mostra nitidamente o reflexo da Alemanha pós-guerra, pois além do foco na história do vampiro Nosferatu, e visto também o tormento que era trazido pela “peste”, doença causada por ratos, que estava voltando a Europa, essa enfatização da peste, que estava atacando a inúmeras pessoas, representava um pouco do enfraquecimento sofrido pela Alemanha depois de perder a primeira grande guerra.

Nosferatu e seus ataques que vão ficando constantes com o decorrer do filme, mostram as marcas desse “enfraquecimento”, visto que o mal (a peste, e o vampiro) estavam dominando facilmente a população que estava fraca e passando por momentos de angustia. Em termos técnicos, podemos ver uma iluminação “sombria”, formando constantes penumbras no ambiente, e tornando Nosferatu mais assustador ainda, a sombra do personagem ja era o suficiente para transmitir a tensão ao espectador. Além das sombras, característica marcante do expressionismo, e visível também a maquiagem exagerada, não só do próprio Nosferatu, como também de Hutter e de outros personagens.

Ha de se ressaltar os “gestos exagerados” dos atores, como por exemplo quando Hutter avisa a sua mulher que vai partir, a cena e tomada de gestos, que mostram como era extremamente “intensa” a relação dele com sua mulher, Ellen. Algumas cenas marcantes, como a que o relógio que soa no castelo do Conde Orlock, mostra outra característica, de que os objetos são também como “personagens” que compõem o clima de tensão do filme. F.W Murnau fez uma montagem que agregou a essas cenas repletas de sombras, uma trilha sonora tão aterrorizante quanto, dando mais peso ainda ao sobrenatural que rodeava o vampiro e sonoplastia aos objetos. Os cenários, eram compostos de linhas tortas e um acabamento grotesco, e de certa forma descompromissado. Enfim, Nosferatu nos leva a um final “feliz”, porém não tanto, ainda causando um certo “descontentamento” aos personagens, e mantendo o clima fantasmagórico no ar. O filme se torna uma obra-prima do expressionismo alemão.

NOSFERATU

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