NERVE – UM JOGO SEM REGRAS (Crítica)

Kadu Silva

Assustadoramente atual

Como lançamento do jogo Pokémon Go muito foi questionado sobre a dependência virtual que muitos sofrem em nossa sociedade atual. Esse jogo foi além, já que usa a realidade virtual dando aos jogadores a sensação de serem participantes “reais” dos acontecimentos do player. Nerve – Um jogo sem regras chega no momento propício nos cinemas, já que a estrutura da trama lembra muito esse questionamento que foi levantado pelo jogo.

Baseado no livro Nerve de Jeanne Ryan o filme apresenta Vee (Emma Roberts), uma garota tímida e bem comum, que está prestes a sair do ensino médio. Vee conhece o jogo Nerve que desafia as pessoas a serem observadores ou jogadores, pressionada por sempre ficar à margem de seus amigos em tudo, Vee resolve então entrar de cabeça no jogo que consiste em colocar os participantes em situações de estremo desconforto para assim avançar as fases.

O roteiro de Jessica Sharzer (O Silêncio de Melinda) peca em alguns detalhes, primeiro em não saber fechar todos os pontos abertos, também em não construir de forma clara a estrutura do jogo, em determinados momentos fica sem clareza, você precisa deduzir algumas coisas para dar sentido ao que está vendo, sem contar a construção de alguns personagens que são incompletas. O grande acerto do roteiro é ser contemporâneo nos diálogos, no formato e no enredo, o que acaba compensando os equívocos apontados.

A trama também não deixa de ser uma analogia do rito de passagem que muitos adolescentes vivem, quando se veem pressionados a escolherem em apenas serem um observador dos fatos ou participar ativamente das mudanças que sonham quando se tornam adultos.

Os jovens estreantes diretores Henry Joost e Ariel Schulman conseguem criar um clima de tensão impressionante, suas escolhas são perfeitas para dar aos espectadores a sensação que um jogo causa nos seus participantes, a narrativa em escalada crescente é precisa para tal resultado. Que gosta da série Mr. Robot irá notar forte semelhança no estilo narrativo.

A fotografia noturna mesclado com efeitos visuais em neon dão ao filme um aspecto visual hipnotizante, junto a isso tem uma trilha sonora que mistura músicas pop e eletrônicas para sempre transmitir uma sensação de êxtase que é comum em participantes de jogos eletrônicos.

O filme tem um bom elenco, apenas dois tem o desenvolvimento adequado ao longa da projeção, que é Emma Roberts (Família do Bagulho) que vive a protagonista Vee e Dave Franco (Truque de Mestre) que faz seu parceiro de jogo Ian, os coadjuvantes estão presentes mais para dar suporte ao crescimento da dupla durante o filme, alguns de forma coerente, outros soam como personagens desperdiçado dentro do enredo.

Nerve – Um Jogo sem Regras ainda que não seja perfeito como obra cinematográfica, se mostra fundamental para colocar em pauta o que a dependência virtual pode causar a quem sofre dela.

NERVE - UM JOGO SEM REGRAS

SINOPSE

Século XVIII. Viúva há poucos meses, a bela Lady Susan Vernon (Kate Beckinsale) foge das fofocas sobre seus casos amorosos buscando refúgio na fazenda dos antigos cunhados. Lá reflete sobre a vida e decide arranjar um novo marido para si e um bom pretendente para a filha, Frederica (Morfydd Clark).

DIREÇÃO

Henry Joost e Ariel Schulman

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jessica Sharzer
Título Original: Nerve
Gênero: Suspense
Duração: 1h 36min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 25 de agosto de 2016 (Brasil)

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