Maligno (Crítica)

Guilherme Gonçalves

Dos mesmos produtores de “O Exorcismo de Emily Rose” e dirigido por Nicholas McCarthy, o filme “Maligno” não tráz novidades ao mundo do terror e suspense, porém executa um longa consistente e sem furos em seu roteiro.

O longa não possui grandes inovações no recorte “filmes com crianças possuídas” porém faz uma abordagem relacionada à vidas passadas e reencarnação, o que torna muito interessante pois o sobrenatural é bem dosado no desenvolvimento da história sem cair em absurdos. O filme bebe na fonte de clássicos como “A Profecia” e “O Exorcista”, com cenas que tem influência clara desses dois longas, porém não me incomoda pois soube utilizar muito bem essas influências sem cair no patamar de cópia ou plágio. O primeiro ato corre em um ritmo bom, através de saltos temporais, explicando a relação de Miles com seus pais, que é criado como uma criança super dotada até chegar aos seus 8 anos de idade que é quando o plot principal começa a ser desenvolvido. Apesar de manter um ritmo constante sem entediar os espectadores temos “jump scares” bem previsíveis e desnecessários que não acrescentam em nada na trama e são utilizados unicamente como recurso visual.

Algo que me chamou a atenção positivamente é que ao contrário de muitos filmes protagonizados por crianças em situações atípicas que flertam com o sobrenatural, aqui os pais de Miles não são ingênuos e as típicas “presas fáceis” do gênero eles estão atentos aos menores sinais e começam a tomar providências para lidar com aquela situação independente da crença dos personagens. A atuação de Taylor Schilling como a mãe Sarah é de grande destaque, além da atriz ser excelente e convencer muito bem em todos os seus momentos de surpresa e desespero a personagem mesmo sendo casada com o pai de Miles (Peter Mooney) é uma mãe bem independente que lida diretamente com os conflitos de seu filho sem demonstrar muitas fraquezas, é a primeira personagem na trama a observar que tem algo muito errado com Miles e toma as maiores decisões que fazem a narrativa se desenvolver de forma fluida e constante, além de ser uma catalisadora para os principais conflitos do enredo.

O ato final do filme é carregado de tensão, inesperado, cruel e bem controverso, o que pode dividir opiniões entre aqueles que esperam “finais felizes” e funciona bem para concluir a trama sem pontas soltas e muletas de roteiro. “Maligno” tem uma premissa muito boa e entrega com excelência o que se propõe a fazer, talvez se fosse feito de uma maneira mais independente para circular em festivais, os elementos clichês do terror moderno que são utilizados no longa para agradar ao grande público poderiam ser adaptados por outras soluções com o objetivo de enriquecer o resultado final.

SINOPSE

Preocupada com o repentino comportamento estranho e violento de seu filho Miles (Jackson Robert Scott), Sarah (Taylor Schilling) inicia uma investigação por conta própria para entender o que está acontecendo. Mas o que ela descobre é que alguma espécie de força sobrenatural está agindo sobre ele, influenciando, cada vez mais, suas ações.

DIREÇÃO

 Nicholas McCarthy

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jeff Buhler
Título Original: The Prodigy
Gênero: Terror, Suspense
Duração: 1h 32min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 14 de março de 2019 (Brasil)

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