IDA (Crítica)

IDA

4emeio

Por Kadu Silva

Um mergulho no passado, para emergir o futuro

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Representante da Polônia ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira, Ida é uma obra que representa o rito de passagem para a vida a adulta, mostrada de uma forma pouco convencional.

A trama se passa na Polônia dos anos 60, num cenário pós guerra, onde conhecemos a noviça Anna (Agata Trzebuchowska) que está prestes a se tornar freira, mas para que isso ocorra, a Madre Superiora, insiste que ela passe uns dias com a sua tia Wanda (Agata Kutesza), a única parente viva, para ter certeza de sua escolha religiosa.

Wanda é uma mulher solitária, depressiva, e que tem como companhia, o álcool, o cigarro e alguns homens que a leva para cama eventualmente. É neste “cenário” completamente oposto ao seu dia-a-dia que Anna irá passar pela experiência de conhecer o passado de sua vida e a partir dai, decidir como será o seu futuro.

O diretor Pawel Pawlikowski (Estranha Obsessão), como já citei, busca um método pouco usual para narrar está trajetória de crescimento. Ele utiliza da película em PB num road movie, onde as protagonistas irão a todo momento em confronto com suas escolhas, já que elas representam os opostos. O único foco igual entre elas é saber sobre o passado, para que ambas saibam como gerir o futuro.

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Como muitos filmes autorais, Ida, na verdade se destaca mesmo, pelas escolhas do diretor na composição de sua obra. Primeiro ele opta por utilizar uma tela de enquadramento menor, esta é uma forma de ressaltar o clima de desconforto das personagens diante da situação que estão passando. Tem também a escolha do preto e branco, que aqui tem diversas interpretações, por ser um filme de época é uma delas, e principalmente porque o PB ressalta o clima melancólico, sem contar que direciona o foco na história. Vale destacar também o “uso” do silêncio em grande parte do longa, quase não há diálogos e nem trilha sonora. Pawlikowski faz sua narrativa de forma lenta, sem pressa de ir desvendando as inquietudes de suas personagens.

Ida como é notório, não apresenta grandes novidades cinematografia, mas a elegância narrativa de Pawel Pawlikowski, e a deslumbrante fotografia, mesclado com as interpretações emocionais de suas protagonistas, fazem do filme uma experiência prazerosa.

Antes de finalizar, vale mencionar, que o formato e principalmente o tema escolhido no filme explicam o porque dele ser considerado o grande favorito nas principais premiações. Mais uma vez tem o nazismo presente, temos uma abordagem mais pessoal, uma visão micro das consequências desse momento negativo da história do mundo diante de um sobrevivente. Apesar de clichê, os votantes são sempre fascinados por longas que apresentam este período em sua tramas.

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SINOPSE

A jovem noviça Anna (Agata Trzebuchowska) está pronta para prestar seus votos e se tornar freira, só que antes disso, por insistência da Madre Superiora (Halina Skoczynska), vai visitar a única familiar restante: tia Wanda (Agata Kulesza), uma mulher cínica e mundana, defensora do Partido Comunista, que revela segredos sobre o seu passado. O nome real de Anna é Ida, e sua família era judia, capturada e morta pelos nazistas. Após essa revelação, as duas resolvem partir em uma jornada de autoconhecimento, para descobrir o real desfecho da história da família e onde cada uma delas pertence na sociedade.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Pawel Pawlikowski” espaco=”br”]Pawel Pawlikowski[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Pawel Pawlikowski
Título Original: Ida
Gênero: Drama
Duração: 1h 22min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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