#assista mulheres2017

Elisabete Alexandre

assistamulheres2017

Já que brasileiro gosta tanto do Oscar, vamos falar dele.

Esse ano, 2017, há filmes excepcionais concorrendo a estatueta de ouro, até posso dizer que com notáveis surpresas, uma delas é Moonlight, filme dirigido por um negro, protagonizado por negros e com temática homossexual. Uau, que avanço!

Ok, mas meu ponto aqui é outro. Seguinte:
Melhor diretor: 0 mulheres entre os concorrentes.
Melhor roteiro original: 0 mulheres.
Melhor fotografia: 0 mulheres.
Melhor montagem: 0 mulheres.
Melhor filme: 9 disputando e nenhum deles foi dirigido por uma mulher.

Deixando um pouco de lado essa premiação normativa, vamos falar de números:
* Mulheres têm salários menores: a atual atriz mais bem paga de Hollywood é Jennifer Lawrence com cachê de 52 milhões de dólares, enquanto seu equivalente masculino, Robert Downey Jr., recebe quase o dobro: 80 milhões;
* Não temos muita participação ativa nos filmes: apenas 30% dos personagens com falas são mulheres;
* Somos em menor número também nos bastidores: há apenas 1 mulher para cada 5 homens trabalhando no cinema.

O ponto que eu queria chegar.

Não acredita nessas informações? Então clique aqui (em inglês) e aqui.

Inspirada em um projeto criado pela escritora e ilustradora britânica Joanna Walsh em 2014, que incentivava a leitura de obras escritas por mulheres e carregou a hashtag #readwomen2014 (esse movimento acontece até hoje, inclusive aqui no Brasil. Saiba mais clicando aqui), pensei em estimular a mesma premissa voltando-a para o cinema, com #assistamulheres2017.

A ideia é conhecer e incentivar o protagonismo feminino na indústria cinematográfica do mundo todo. Assistir a mais filmes dirigidos, escritos, produzidos e protagonizados por mulheres. Acha difícil? Não sabe por onde começar? Pois bem, estarei aqui toda semana com uma dica incrível de filme para você. Para ajudar ainda mais, vou tentar dar prioridade a filmes de fácil acesso, como os encontrados na Netflix ou que estejam em cartaz nos cinemas, por exemplo. A intenção é facilitar.

Talvez você se pergunte: como isso de fato ajuda? E eu te respondo: ajuda porque representatividade e reconhecimento importam.

Homens já são amplamente representados e reconhecidos no machista mundo dos filmes, agora precisamos fazer o mesmo com as mulheres. Assistir a um filme dirigido por uma mulher é reconhecer o seu trabalho. Assistir a um filme com uma protagonista feminina é passar por cima do estereótipo de que longas com personagens principais mulheres é “coisa de menina”. Aliás, faça um favor a você mesmo e para o mundo: pare de dizer que algo é “coisa de menina” ou “coisa de menino” de agora em diante e para sempre. Tal separação de gênero não existe, a propósito, se você for homem e tiver vontade de ver uma comédia romântica, vai lá, assista. Você não será menos homem por isso, acredite.

Acredito que já tenha conseguido explicar por A+B a finalidade do projeto e porque ele é importante, agora cabe a nós mantê-lo vivo e fazer dessa notabilidade um hábito comum. Farei a minha parte e conto com vocês fazendo o mais importante: assistir mulheres em 2017, 2018, 2019…

Antes de ir embora, aproveito para promover o #leiamulheres. Gosta de ler? Quantos livros escritos por mulheres você leu em 2016? Tudo bem, não precisa dizer se não quiser, mas 2017 tá aí e você pode fazer a diferença.

Até mais!

#assistamulheres2017

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