AS AVENTURAS DE PEABODY E SHERMAN (Crítica)

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Por Pedro Vieira

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Trazer um desenho animado educativo (mesmo que com alguns toques de humor), dos anos 60 e pouco conhecido para o contexto dos dias atuais e transformá-lo em um blockbuster familiar, à primeira vista parece ser um desafio e tanto. Porém a Dreamworks, confiante nas possibilidades trazidas pelo desenho “Peabody’s Improbable History”, se arriscou e deu origem ao filme “As Aventuras de Peabody e Sherman” (Mr. Peabody and Sherman).

O design dos personagens é praticamente o mesmo do programa de televisão, com algumas adaptações minúsculas aqui e ali, para se adequar aos padrões do século XXI – como o notável cabelo dos protagonistas, que ganharam topetes modernos. O enredo segue Sherman, um garoto inteligente, porém desastrado, e seu pai adotivo, o Sr. Peabody, o cão mais inteligente do mundo e criador de uma máquina do tempo denominada “Volta Atrás” (“WABAC” em inglês, que faz trocadilho com “Way Back”).

É a partir das viagens do tempo que todos os problemas do filme serão retirados, assim como também a maior parte das piadas da animação, desde daquelas já vistas e repetidas várias vezes em outros produtos audiovisuais – a referência à torre de Pizza que nem sempre foi inclinada, ou a esfinge que perde o nariz – até os trocadilhos feitos pelo cachorro protagonista, que são uma espécie de marca do personagem. É um humor que, entretanto, vai variando muito do realmente cômico, até o embaraçoso.

Como utilizar somente os dois personagens masculinos principais parece não fazer com que a aventura consiga engatar, e também para atrair mais a atenção do público feminino mais jovem, uma garotinha chamada Penny é criada para o longa. Ela é importante para dar sentido ao primeiro ponto de virada do roteiro, mas após isto, se torna uma personagem passiva e que realmente pouco importa para o resto da trama. Outro detalhe é o modo como ela e Sherman se relacionam, inicialmente focado na rivalidade, para logo depois virar um amor juvenil. É algo que não só é batido – desenhos como “Jimmy Neutron” e outros já fizeram isso – como mal resolvido – Sherman a odeia em uma cena, e poucos minutos depois começa a sentir ciúmes por ela. Se fosse mais natural, seria aceitável, mas a forma como essa amizade é colocada no filme faz tudo parecer um “déjà vu” e a torna forçada.

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Um pouco melhor é o desenvolvimento do conflito passado por Peabody e Sherman. Não há nada de novo no modo como o pai tenta impor sua autoridade perante o filho, a não ser o fato de que aqui se tem um cachorro assumindo a posição do primeiro, mas é possível sentir mais afinidade entre os dois do que no casalzinho de crianças. Ainda assim é notável como o diretor Rob Minkoff – conhecido por ter dirigido “O Rei Leão”, filme no qual também se utilizou da relação pai/filho – que volta após quase duas décadas filmando live-actions para o campo da animação, não consegue exprimir toda a emoção proposta pelo longa a partir dos seus protagonistas do mesmo modo como um dia fez com os dois leões do longa de 1994 (e acredite, ele tenta).

Mas se o filme parece um repetição de clichês e situações, ele tem a sorte de possuir uma trama que prende atenção do espectador, além de usufruir de uma animação de qualidade que flui rápida no que se diz respeito os movimentos dos personagens e os cortes das cenas. É basicamente o tipo de técnica utilizada para fazer com que o telespectador não perca seu interesse no filme, uma vez que está sempre em contato com uma impressão visual nova.

A versão brasileira se beneficia de um bom trabalho de tradução e dublagem. A voz do ator Alexandre Borges cai como uma luva para o personagem de Peabody, e ele se sai muito bem, parecendo de fato um dublador de veterano.

Esse é o tipo de filme que agradará as crianças e como elas podem entrar em contato com diversos fatos históricos importantes como a Revolução Francesa e A Guerra de Tróia, vários pais deverão ficar felizes. Ainda assim os “grandinhos” podem se incomodar de verem situações repetidas, algo que o filme poderia ter evitado buscando novos caminhos a fim de se tornar algo realmente inspirador, ao invés de se colocar num patamar mais simples.

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SINOPSE

Mr. Peabody (voz de Ty Burrell) é o cão mais inteligente do mundo. Ele acaba de construir uma máquina do tempo, mas ela é roubada por uma pessoa que pretende fazer várias viagens pela História. Imediatamente, o cão e seu ser humano de estimação, Sherman, devem correr para retomar sua invenção e impedir mudanças drásticas na história da humanidade.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Andrew Kurtzman, Jason Clark e Rob Minkoff
Título Original: Mr. Peabody & Sherman
Gênero: Aventura
Duração: 1h 32min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: Livre

TRAILER

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