A Mula (Crítica)

Gustavo Adriano

Earl Stone é um horticulturista que acabou deixando a família de lado para se dedicar ao trabalho durante a vida inteira, quando vê seu negócio falir ele tenta recuperar o tempo perdido através de sua neta, mas acaba se enfiando com um cartel de drogas e se torna uma mula de carga.

O roteiro de Sam Dolnick, inspirado em um artigo do The New York Times é extremamente eficiente, Earl é uma pessoa comum, que cometeu erros achando que trabalhar seria mais importante que aproveitar a vida com sua família, e quando a oportunidade de fazer uma pequena entrega sem saber do que se trata, ganhando muito bem, o faz ter tempo de tentar reconectar com sua ex-esposa e filha, ele mergulha de cabeça mesmo descobrindo que está transportando drogas, não liga e continua, até porque o pagamento vai aumentando cada vez mais.

A partir dai a trama se divide entre as entregas e Earl reformando sua casa, ajudando a cidade a onde mora, pagando pelo casamento e os estudos de sua neta, em um ritmo crescente e muito bem equilibrado, conseguindo inserir a fundo o cartel, que traz tensão e uma reviravolta inesperada no segundo ato.
No meio disso tudo ainda temos a trama do detetive Colin e Trevino, o único equívoco do roteiro, Colin surge como um detetive renomado que venho de Nova York e o roteiro comete uma falha capital, nunca se deve apresentar um personagem em uma trama mencionando coisas que nunca veremos e que só servem para tentar dizer que ele é importante, o que deve ser feito com ações, depois disso, a investigação é conveniente e os dois de repente encontram um informante, que por acaso tem todas as pistas que eles desejam, e quando vemos, os telefones do cartel estão grampeados, e os detetives já sabem até as rotas que Earl usa para as entregas, e nada disso é explicado, além de não ter conclusão nenhuma para ambos.

Clint Eastwood, junto com o diretor de fotografia Yves Bélanger, fazem um belo longa, as estradas desertas conseguem ser bonitas, e as cidades do interior que Earl visita são charmosas, mas o trabalho de câmera se destaca bastante, as primeiras entregas são tranquilas e a câmera é bem solta, com enquadramento amplo, quanto mais as coisas vão ficando tensas e sérias é tudo menos solto e o enquadramento é próximo, quase claustrofóbico, assim como a fotografia é bem colorida e vai aos poucos se tornando cinza e sem graça.

Clint Eastwood em uma maravilhosa atuação, seu personagem é duro e sério, mas ele sabe se divertir e fazer piadas quando precisa, o ator ainda brilha e muito nas cenas com a sua família, emocionando bastante.

Bradley Cooper provavelmente estava ocupadíssimo em Nasce Uma Estrela, porque Colin é inexpressível e está mais para chamar atenção pelo seu nome do que qualquer outra coisa.
Michael Peña parecia estar se divertindo, apesar de seu personagem ter pouquíssimo a acrescentar na trama.

Andy Garcia deve ter ficado no mesmo trailer que Peña, pois está canastrão e divertido ao extremo como o chefe do cartel.

Laurence Fishburne no mesmíssimo piloto automático que ele estava nos longas do universo DC, interpreta o chefe de Colin, e basicamente só obedece às ordens de seu superior.

A Mula é provavelmente o último trabalho de Clint Eastwood, e mostra o ator e diretor com um grande controle sobre o que queria fazer, a trama de Earl é completamente concisa, e o terceiro ato ainda consegue jogar a tensão no máximo desacelerando tudo, enquanto ficamos grudados sem saber o que vai acontecer.

A trama dos detetives é desnecessária e mal construída, mas acabam não alterando muito o resultado final por aparecem pouco, talvez se não tivessem três grandes atores desperdiçados acabaria passando batido.

SINOPSE

Leo Sharp coleciona uma série de honras que vão desde de prêmios por seus trabalhos como paisagista e decorador até o reconhecimento por ter lutado contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, foi aos 90 anos que conquistou algo surpreendente: ele foi preso por portar o equivalente a três milhões de dólares em cocaína no seu carro, uma picape velha, no Michigan. Sharp era o líder do Sinaloa, um cartel de drogas no México e foi sentenciado à três anos de cadeia. A sinopse oficial ainda não foi divulgada.

DIREÇÃO

 Clint Eastwood

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Nick Schenk
Título Original: The Mule
Gênero: Drama, Biografia
Duração: 1h 56min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 14 de fevereiro de 2019 (Brasil)

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